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Tradução: B&C Revisão de Textos. Revisão técnica: Marco Antonio Barbieri, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
Revisão final: Alessandra Schneider, CONASS - Conselho Nacional de Secretários de Saúde - Brasil
Os padrões e as preferências alimentares das crianças estabelecem-se cedo. As crianças aceitam ou rejeitam alimentos com base nas qualidades sensoriais do alimento, como gosto, textura, cheiro, temperatura ou aparência. Fatores ambientais também desempenham um papel. O contexto em que o alimento é apresentado, assim como a presença de outras pessoas e as consequências esperadas do comer ou não comer contribuem para as reações das crianças aos alimentos.
Durante a refeição, bebês e cuidadores estabelecem uma parceria na qual reconhecem e interpretam reciprocamente seus sinais de comunicação verbal e não verbal. Isto constitui a base de um vínculo emocional, ou apego.
Os problemas alimentares são provocados pela interação de fatores biológicos e psicológicos diversos, e frequentemente é difícil definir suas contribuições específicas. Fatores biológicos podem incluir experiências iniciais, tais com procedimentos médicos, hospitalização crônica ou problemas médicos que provocam dor em decorrência da alimentação. Além disso, é possível que a crianças tenha deficits motores orais – por exemplo, dificuldade de engolir – que dificultam a alimentação.
Quando as habilidades relacionadas à alimentação estão prejudicadas, e/ou quando a criança tem pouco apetite, podem ocorrer comportamentos alimentares problemáticos, como recusar-se a comer. A recusa a comer pode levar a déficit de crescimento.a Ironicamente, essa condição contribui para as deficiências em habilidades alimentares, uma vez que crianças mal-nutridas não têm energia suficiente para alimentar-se de forma competente. Assim, estabelece-se um ciclo vicioso, no qual a criança recusa o alimento, não consegue aprender que comer já não provoca dor, perde oportunidades de exercitar e desenvolver habilidades motoras orais, e não consegue ganhar peso.
Em crianças essencialmente saudáveis, a questão que leva algumas crianças a ter preferências alimentares seletivas (crianças “enjoadas” para comer) vem-se tornando uma área importante de estudo, uma vez que, em nações desenvolvidas, está relacionada à obesidade epidêmica. No processo de transição para a alimentação familiar, as pistas reguladoras internas relativas à fome e à saciedade são frequentemente sobrepujadas por padrões familiares e culturais. Hábitos dietéticos pouco saudáveis na família e a exposição frequente a lanchonetes tendem a estabelecer padrões alimentares negativos, e colocam muitas crianças pequenas em risco de deficiências nutricionais e de excesso de peso.
Nota
- Na literatura da área, a expressão “Failure to thrive” tem sido traduzida por “falhas do crescimento” ou “falhas no crescimento”. Refere-se a peso baixo para a idade ou taxa baixa de aumento de peso para a idade. Falhas ou déficit de crescimento durante um determinado tempo, geralmente durante o primeiro ano de vida, refere-se a redução da velocidade de ganho de peso e do comprimento para a idade.
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