Estresse (pré-natal e perinatal)


O que pode ser feito?

Síntese dos textos de especialistas - Publicado on-line em 23 de fevereiro de 2011

Editor do Tema: Vivette Glover, MA, PhD, DSc, Imperial College London, Reino Unido
Tradução: B&C Revisão de Textos. Revisão técnica: Claudia Medeiros, Secretaria da Saúde São Paulo
Revisão final: Alessandra Schneider, CONASS - Conselho Nacional de Secretários de Saúde - Brasil

Devem ser estabelecidas intervenções para reduzir o estresse, a ansiedade ou a depressão, conforme o caso, levando em conta a necessidade de desenvolver muitas novas pesquisas para avaliar qual intervenção é mais eficaz, e em que circunstâncias.  Programas baseados na comunidade que sejam sensíveis às diferentes necessidades e preocupações dos novos pais podem lhes oferecer informações e apoio no planejamento para seu retorno ao trabalho, e examinar as opções de que dispõem em relação aos cuidados com a criança. As implicações do estresse pós-natal podem ter consequências mais importantes do que os efeitos biológicos do estresse pré-natal. No entanto, o apoio às famílias deve cobrir igualmente os dois períodos.

Sabe-se que a maioria (80%) das mulheres que sofrem de estresse durante a gravidez tem parto saudável. No entanto, outras pesquisas são necessárias para determinar o que aumenta o risco de resultados adversos para algumas mulheres e seus bebês. São necessários estudos complementares para compreender:

  • o papel e o impacto das diferentes estratégias para lidar com o estresse;
  • a relevância da gravidade do estresse;
  • o impacto relativo de um estresse crônico versus um período estressante eventual;
  • a importância do momento em que os eventos estressantes acontecem; e
  • o efeito dos múltiplos fatores de risco – para entender melhor os mecanismos biológicos e comportamentais que intervêm nos efeitos do estresse materno.

É preciso estabelecer definições e medidas precisas do estresse psicológico para apoiar a coerência metodológica e o rigor científico da pesquisa.

Atualmente, há grande interesse nos efeitos que as políticas de licença-maternidade e a duração desse período exercem sobre a saúde física e mental da mãe e o desenvolvimento da criança.

Também são necessárias novas pesquisas sobre fatores relacionados ao tipo de emprego da mãe ou a duração da licença-maternidade como, por exemplo, sexo da criança, estrutura familiar, nível de instrução dos pais e disponibilidade de serviços de cuidados infantis de qualidade. Tendo em vista que políticas, por si só, não podem impor mudanças culturais, as pesquisas devem analisar as licenças-maternidade e paternidade em relação às necessidades da sociedade – desenvolvimento  da criança, crescimento da população, necessidades ligadas à carreira.

Políticas e medidas legislativas podem ser elaboradas para dar às mulheres mais opções sobre quando e como trabalhar durante a gravidez. Em países que garantem licença-maternidade e opções de cuidados infantis, recursos públicos podem ser destinados a pesquisas para analisar os cuidados prestados à criança em casa e em creches, e seus benefícios, tanto para os pais como para as crianças. Os pesquisadores devem observar com mais atenção o impacto de licenças parentais sobre as crianças e seu desenvolvimento. Nos dias de hoje, é evidente que esses serviços deveriam ser oferecidos em todos os países industrializados.

 

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