Habilidades parentais


O que sabemos?

Síntese dos textos de especialistas - Publicado on-line em 23 de dezembro de 2011

Tradução: B&C Revisão de Textos. Revisão técnica: Ligia Schermann, Ulbra/RS - Psicologia
Revisão final: Alessandra Schneider, CONASS - Conselho Nacional de Secretários de Saúde - Brasil

Os efeitos das práticas parentais
Para garantir os melhores resultados possíveis para seus filhos, os pais devem encontrar equilíbrio entre suas exigências no que diz respeito à maturidade da criança e à disciplina necessária para sua integração ao sistema familiar e social, e também para a manutenção de um ambiente de afeto, escuta e apoio. Quando o comportamento e a atitude dos pais não refletem esse equilíbrio de características durante o período pré-escolar, as crianças podem vir a enfrentar uma série de problemas de ajustamento e adaptação.

Vários estudos estabeleceram uma relação entre práticas parentais sensíveis e responsivas e a manifestação de emoções positivas por parte da criança; por outro lado, crianças negativas, irritáveis ou agressivas teriam sido submetidas a práticas parentais menos favoráveis e mesmo problemáticas. Mais especificamente, os pesquisadores associaram o aparecimento de problemas de conduta na criança tanto a uma disciplina inconsistente, rígida, explosiva ou irritável, como a supervisão e empenho insuficientes.

A responsividade parental também é importante para o desenvolvimento cognitivo. Estudos mostraram que comportamentos sensíveis no plano cognitivo – por exemplo, apoiar os interesses em lugar de redirecioná-los, e oferecer à criança um aporte verbal rico – dão à criança uma estrutura para o desenvolvimento das habilidades ligadas à atenção e à linguagem. Além disso, a participação precoce e consistente em atividades de aprendizagem, e oferecer à criança materiais de aprendizagem adequados à sua idade favorecem o aprendizado e, mais especificamente, o desenvolvimento da linguagem. Além de proporcionar um ótimo contexto de aprendizagem, todas essas práticas parentais estimulam a criança a desempenhar um papel mais ativo no seu processo de aprendizagem e a desenvolver uma atitude positiva com relação à aprendizagem.

No caso de crianças que vivem em situação de pobreza, além das práticas parentais, outros fatores ligados ao ambiente social têm repercussão sobre seu funcionamento ulterior, em particular idade, bem-estar e história de comportamentos antissociais dos pais, apoio social na família imediata e fora dela, bem como características da vizinhança.

Determinantes das práticas parentais
O que leva os pais a criar seus filhos de determinada maneira, e não de outra? Vários fatores pessoais e sociais entram em jogo.

Os fatores sociocontextuais que modelam as práticas parentais englobam as características da criança, a história do desenvolvimento dos pais e suas próprias características psicológicas, sofrimento pessoal e conjugal, isolamento social e o contexto social mais amplo no qual estão inseridos os pais e seus relacionamentos. As características de personalidade dos pais também desempenham um papel, influenciando suas emoções e/ou suas percepções, inclusive sua compreensão dos fatores subjacentes ao comportamento de seus filhos.

A pesquisa mostra que o estímulo da linguagem e a presença de material de aprendizagem em casa são as práticas parentais mais fortemente ligadas à prontidão escolar, ao vocabulário e às realizações nos primeiros anos escolares, ao passo que estratégias disciplinares e práticas educativas dos pais estão mais fortemente associadas aos resultados sociais e emocionais, como comportamento, controle da impulsividade e atenção.

O conhecimento de práticas parentais também têm um papel fundamental. Quando os pais conhecem as normas e as etapas do desenvolvimento e sabem como cuidar dos filhos, gozam de uma compreensão global que lhes permite adaptar-se ou antecipar-se as mudanças no desenvolvimento infantil. Os estudos mostram que mães que conhecem melhor o desenvolvimento do bebê e da criança têm melhores competências parentais. Da mesma forma, quando os pais têm convicções erradas ou superestimam o desempenho do seu filho, podem, na verdade, minar esse desempenho, provavelmente porque as expectativas dos pais podem ter efeito sobre seus comportamentos.

 

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