Prevenção de maus-tratos na infância (abuso/negligência)


O que pode ser feito?

Síntese dos textos de especialistas - Publicado on-line em 21 de julho de 2011

Editor do Tema: Harriet MacMillan, MD, McMaster University, Canadá
Tradução: B&C Revisão de Textos. Revisão técnica: Silvia Koller, UFRGS – Instituto de Psicologia
Revisão final: Alessandra Schneider, CONASS - Conselho Nacional de Secretários de Saúde - Brasil

Os programas que visam à prevenção de maus-tratos na infância promovem fatores de proteção e reduzem fatores de risco. Promovem o bem-estar das crianças, dos pais e das famílias, evitando muitos resultados negativos.

Entre as estratégias preventivas mais eficazes estão os seguintes programas:

  • Visitas domiciliares no período perinatal por enfermeiras;
  • Cuidados infantis de boa qualidade e programas preventivos de educação na primeira infância;
  • Educação do público, com campanhas nos meios de comunicação e conscientização sobre temas escolhidos – por exemplo, a Síndrome do Bebê Sacudido;
  • Educação de profissionais, com melhor capacitação para a identificação de maus-tratos e melhores instrumentos de triagem;
  • Melhorias na comunidade, tais como habitação.

A intervenção tem o potencial de ajudar crianças e pais. A identificação precoce de crianças em risco de Síndrome do Bebê Sacudido pode reduzir os custos individuais, médicos e sociais associados a essa forma de abuso. Os profissionais da área da saúde podem desempenhar um papel-chave na avaliação das condições domésticas e para ajudar os pais a identificarem situações de risco, como o choro excessivo. Intervenções para crianças expostas à violência doméstica visam a ajudá-las a lidar com os estressores associados e a reduzir problemas nos cuidados parentais.

Embora tenham sido observados impactos positivos, é preciso notar que não podemos extrapolar esses resultados para todas as situações. Por exemplo, o programa bastante estudado de visitas domiciliares por enfermeiras, de David Olds, mostrou-se eficaz na prevenção de maus-tratos na infância, mas não se pode supor que outros programas de visita domiciliar sejam igualmente efetivos até que existam evidências nesse sentido. São necessárias certas condições para que os efeitos se repitam – por exemplo, há evidências de que, para que apresentem impactos preventivos no curto e no longo prazo, programas de prevenção no período pré-escolar devem ser longos e intensivos. Em alguns casos, nosso conhecimento sobre os efeitos completos dos programas é limitado. Por exemplo, programas educacionais sobre abuso sexual na infância estão associados ao aumento das comunicações/notificações de casos de abuso, mas não se sabe se também ajudam a reduzir sua ocorrência.

Ainda há muito trabalho a ser feito para que possamos compreender e explorar inteiramente os efeitos de programas de prevenção de maus-tratos na infância. Neste momento, para possibilitar a realização de pesquisas sérias sobre prevenção de maus-tratos na infância, precisamos chegar a um consenso quanto a definições uniformes e questões éticas. Precisamos também examinar processos e resultados dos programas em diferentes contextos culturais, e desenvolver maior sensibilidade em relação a grupos étnicos e culturais diversificados. A prevenção de maus-tratos na infância requer a coordenação de esforços em muitos níveis: do governo, do público, de agências, dos responsáveis pela aplicação da lei, de pesquisadores e de provedores de serviços.

Em última instância, as abordagens mais eficazes à prevenção de maus-tratos na infância abordarão as causas profundas desse problema em múltiplos níveis, enfrentando, ao lado da população em geral e das populações de risco, questões relacionadas à pobreza, habitação, emprego, escola, cuidados de saúde e outros sistemas comunitários, e ajudando os pais na criação de seus filhos pequenos.

Este tema é desenvolvido em colaboração com o Centre of Excellence for Child Welfare (Centro de Excelência para o Bem-Estar da Criança).

 

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