Programas de educação infantil


O que pode ser feito?

Síntese dos textos de especialistas - Publicado on-line em 11 de novembro de 2010

Tradução: B&C Revisão de Textos. Revisão técnica: Vital Didonet, OMEP/Brasil
Revisão final: Alessandra Schneider, CONASS - Conselho Nacional de Secretários de Saúde - Brasil

Duas dimensões que usualmente são medidas quando se discute qualidade são variáveis do processo – por exemplo, a natureza da interação das crianças com os cuidadores adultos – e variáveis estruturais – por exemplo, a proporção crianças/adulto, o tamanho do grupo e a capacitação e conhecimentos do educador. O aumento da conscientização a respeito do desenvolvimento inicial orientou a atenção dos formuladores de políticas e dos profissionais para o conteúdo dos currículos de programas de educação infantil.

Até o momento, nenhum modelo de currículo se mostrou mais eficaz do que outros; no entanto, os pesquisadores e organizações nacionais importantes identificaram os seguintes aspectos-chave de um modelo de currículo eficaz:

  • As crianças são ativas e envolvidas em termos cognitivos, físicos, sociais e artísticos;
  • As metas do currículo são claramente definidas, compartilhadas e compreendidas por todos os adultos que participam da aprendizagem das crianças;
  • Os educadores têm interações frequentes e significativas com as crianças;
  • O currículo baseia-se em evidências relevantes do ponto de vista do desenvolvimento, da cultura e do idioma das crianças.
  • O currículo se apoia nas experiências e aprendizagens anteriores das crianças;
  • O currículo deve abranger todas as áreas do desenvolvimento, incluindo a saúde física, o bem-estar, o desenvolvimento motor, social e emocional das crianças, abordagens à aprendizagem, desenvolvimento da linguagem, cognição e conhecimento geral.
  • O currículo está ajustado a padrões de aprendizagem e a avaliações adequadas.

As necessidades das crianças são muito variáveis, o que impossibilita a identificação de um modelo ideal de currículo. Apesar disso, o currículo é fundamental, não apenas para o ganho de conhecimentos e habilidades pela criança, mas também para a aplicação de abordagens pedagógicas particulares e para a natureza das interações da criança com o professor/cuidador.

Ao invés de um modelo único, são necessárias pesquisas para determinar as condições nas quais determinados currículos funcionam melhor para certas crianças. O Starting Strong II – o segundo relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) – resume os resultados de uma revisão comparativa de programas e políticas de educação e cuidado na primeira infância em 20 países (entre os quais o Canadá) entre 1998 e 2005. O relatório faz duas recomendações: 1) que o bem-estar, o desenvolvimento inicial e a aprendizagem sejam colocados no centro da educação na primeira infância, respeitando as intervenções da criança e as estratégias naturais de aprendizagem da criança; 2) que sejam desenvolvidas com as partes interessadas orientações gerais e padrões curriculares para todos os serviços de educação infantil.

Ainda que as abordagens dominantes nos Estados Unidos e no Canadá sejam diferentes em alguns níveis, o elemento crítico que perpassa todas as discussões sobre programas eficazes de educação infantil é a necessidade de uma força de trabalho habilitada, ponderada e responsiva, para criar programas de educação infantil como ambientes de aprendizagem no início da vida.

 

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