Programas de visita domiciliar (pré e pós-natal)


O que pode ser feito?

Síntese dos textos de especialistas - Publicado on-line em 20 de dezembro de 2010

Tradução: B&C Revisão de Textos. Revisão técnica e revisão final: Alessandra Schneider, CONASS - Conselho Nacional de Secretários de Saúde - Brasil

Para desenvolver uma avaliação abrangente da eficácia e da eficiência dos programas de visita domiciliar, é importante coletar informações suficientes sobre os participantes, para analisar os efeitos do programa sobre diferentes subgrupos. A avaliação deve medir também diversos resultados em relação à criança e à família em diferentes momentos da vida.

Adicionalmente, é necessário determinar quais componentes do programa são essenciais e quais produzem os melhores resultados no longo prazo. As evidências sugerem que programas de visita domiciliar multidimensionais – aqueles que abordam o desenvolvimento da mãe ao longo da vida, a vida familiar, os cuidados infantis e o desenvolvimento da criança de maneira geral – têm efeitos duradouros mesmo após o término da intervenção.

implementação de programas de visita domiciliar enfrenta dificuldades específicas. As famílias nem sempre aceitam inscrever-se no programa ou o abandonam antes do término previsto, ainda que faltem algumas visitas a serem realizadas. Pesquisas recentes sugerem que as taxas de participação podem aumentar sensivelmente por meio da integração de programas de visita domiciliar a um sistema amplo e diversificado. Quando programas intensivos de visita domiciliar são compartilhados com programas de serviços baseados em grupos ou comunidades, a proporção de novos pais que utilizam serviços de  prevenção aumenta consideravelmente.

Assim como com qualquer serviço financiado pelo governo, o custo é um aspecto importante desses programas. Embora o nível profissional varie amplamente nos programas de visita domiciliar, o custo dos programas tem pouca variação. Entretanto, a relação custo-benefício difere de um programa para outro, conforme a continuidade dos efeitos. Programas com resultados duradouros têm uma relação custo-benefício melhor do que aqueles que produzem impacto mais limitado.

O custo social de problemas importantes para a sociedade não deve ser subestimado. No Canadá, o abuso de crianças gera um custo aproximado de US$15 bilhões por ano. Nesse contexto, investimentos públicos atuais em programas de visita domiciliar e outros programas de desenvolvimento na primeira infância (DPI) são relativamente pequenos.

Em relação ao desenvolvimento de políticas, há um desequilíbrio entre oferta e demanda. O número de provedores de serviço disponíveis jamais será suficiente para alcançar todas as famílias elegíveis com programas de visita domiciliar individual. Esses programas não conseguem atender todas as famílias cujas crianças correm risco de sofrer maus-tratos. Este fato destaca a necessidade de reduzir o tamanho da população que solicita atendimento individualizado e serviços clínicos, oferecendo programas universais e direcionados que alcancem maior número de famílias.

Há um consenso crescente de que o Canadá precisa de um sistema de DPI abrangente. Devemos avaliar políticas públicas no nível do sistema, incluindo a eficiência dos programas de visita domiciliar no contexto mais amplo de outros programas de DPI. Há também a necessidade, já reconhecida, de criar uma rede nacional de recursos para apoiar uma rigorosa avaliação longitudinal dos investimentos em DPI.

 

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