 |
Editor do Tema: Michel Boivin, PhD, Université Laval, Canadá
Tradução: B&C Revisão de Textos. Revisão técnica: Adriana Fridman, Aliança pela Infância
Revisão final: Alessandra Schneider, CONASS - Conselho Nacional de Secretários de Saúde - Brasil
Há uma série de habilidades emocionais, cognitivas e comportamentais que se desenvolvem nos dois primeiros anos de vida que ajudam a promover relações positivas entre pares. Entre elas, lidar com a atenção conjunta, regular emoções, inibir impulsos, imitar as ações de outra criança, compreender relações causa-efeito, e desenvolver habilidades de linguagem. Alguns fatores externos, tais como as relações das crianças com os membros da família e sua bagagem cultural ou socioeconômica, e fatores individuais, como incapacidades físicas, intelectuais de desenvolvimento ou comportamentais, também podem influenciar as experiências de crianças com seus pares.
Origens das dificuldades nas relações entre pares
Crianças com deficiências, que frequentemente estão prejudicadas quanto a uma ou mais das habilidades mencionadas acima, tendem a ter desempenho social menos satisfatório do que seus pares que apresentam desenvolvimento normal. Especialmente as crianças que têm habilidades limitadas ou nulas de comunicação, habilidades sociais e/ou habilidades motoras limitadas tendem a apresentar comportamentos inadequados (agressivos, por exemplo), interagir menos com seus pares, e em decorrência disso, a ser menos aceitas por eles.
Mesmo em crianças com deficiências, um dos principais fatores associados a dificuldades nas relações com pares é o comportamento. Crianças agressivas, hiperativas ou retraídas frequentemente sofrem mais rejeição dos parceiros.
A relação entre comportamento agressivo e a experiência de rejeição pelos pares pode variar de acordo com o gênero, o período de desenvolvimento e o grupo de pares. Por exemplo, a associação entre agressão e rejeição é mais acentuada nos anos pré-escolares ou nos primeiros anos de escola do que em fases posteriores da infância. Crianças agressivas também podem ser mais populares quando pertencem a um grupo de crianças que aceitam ou são neutras em relação a comportamentos agressivos; e podem não aparentar dificuldade de fazer amigos entre parceiros igualmente agressivos.
Ainda assim, mais do que a presença de agressão, a ausência de comportamento pró-social pode promover a rejeição entre pares. Crianças tímidas e retraídas também vivenciam dificuldades de relacionamento entre pares, embora isso tenda a ocorrer mais tarde, depois dos anos pré-escolares.
Impacto das dificuldades de relacionamento entre pares
A curto e médio prazo, relações problemáticas entre pares estão associadas com fracasso escolar e baixo desempenho acadêmico. Entre outras coisas, a rejeição e os conflitos entre pares podem reprimir a motivação das crianças para as atividades de sala de aula. Crianças que têm amigos na sala de aula e que são aceitas por seus pares em geral têm mais motivação para participar.
No longo prazo, dificuldades precoces de relacionamento entre pares correlacionam-se com uma diversidade de problemas de adaptação na adolescência e no início da vida adulta, tais como evasão escolar, delinquência e problemas emocionais como solidão, depressão e ansiedade. As evidências sobre consequências de longo prazo das dificuldades entre pares nos anos pré-escolares ainda são limitadas, uma vez que outras causas potenciais (por exemplo, fatores pessoais ou ambientais) não foram excluídas. No entanto, risco de não adaptação em crianças que apresentam problemas comportamentais e emocionais precoces parece ser exacerbado pela rejeição pelos seus pares. Inversamente, amizades e relações positivas precoces no grupo de pares parecem proteger crianças de risco contra problemas psicológicos posteriores.
Relações entre irmãos são um tipo especial de relação entre pares, mais íntimas e com tendência a ser mais duradouras do que qualquer outra relação na vida. Oferecem um contexto importante para o desenvolvimento da compreensão das crianças sobre o mundo dos outros, suas emoções, pensamentos, intenções e crenças. Conflitos frequentes entre irmãos na infância associam-se a dificuldades de adaptação mais tarde, inclusive tendências à violência.
Veja também...
|
 |