Temperamento


O que pode ser feito?

Síntese dos textos de especialistas - Publicado on-line em 19 de julho de 2011

Tradução: B&C Revisão de Textos. Revisão técnica: Vera Regina Fonseca, Sociedade Brasileira de Psicanálise
Revisão final: Alessandra Schneider, CONASS - Conselho Nacional de Secretários de Saúde - Brasil

Pesquisas sobre temperamento sugerem a importância da educação para ajudar cuidadores, professores e pais a perceber que o comportamento e as emoções da criança não são resultado apenas do aprendizado social. Pelo contrário, as crianças são diferentes desde pequenas quanto à sua reatividade e auto-regulação, e podem seguir diferentes trajetórias de desenvolvimento. O temperamento também implica intervenções específicas, tais como o treino de controle de atenção que tem sido utilizado com sucesso com crianças de 4 anos de idade, e pode ser adaptado a ambientes pré-escolares. Tal treino também foi testado com crianças que apresentam TDAH e, aparentemente, tem mostrado resultados positivos globais no processamento cognitivo das crianças.

Diferentes estratégias de criação/educação parecem funcionar melhor para crianças com determinados tipos de temperamento. Isto pode ser explicado pela teoria da “adaptação ótima”, como sugerido por Thomas e Chess. Aparentemente, crianças agressivas e difíceis de lidar obtêm benefícios de um estilo parental que envolve um controle mais restritivo e menor negatividade por parte dos pais. A criança tímida parece beneficiar-se do estímulo oferecido pelos pais para explorar novas situações e é mais propensa a permanecer tímida e inibida quando os pais são superprotetores.

Crianças temerosas tendem a desenvolver maior consciência precoce e a obter melhores resultados sob disciplinas parentais flexíveis, que favorecem a consciência internalizada.  Crianças mais destemidas parecem obter mais benefícios da responsividade materna e de sua própria segurança de apego no desenvolvimento da consciência.

Diferenças individuais relativas ao esforço de controle, embora parcialmente causadas pela hereditariedade, também estão associadas com a qualidade das interações pais-filhos. Práticas parentais afetuosas e apoiadoras, e não distantes e diretivas, parecem predizer níveis mais elevados de esforço de controle. Portanto, é importante que pais e demais cuidadores sejam estimulados a interagir com as crianças de modo a favorecer o desenvolvimento do esforço de controle.

Por fim, em determinados contextos, algumas crianças representam maiores desafios para os pais, professores e demais cuidadores devido ao seu temperamento. Nestes casos, os cuidadores podem se beneficiar de apoio e educação adicionais. Por exemplo, os cuidadores podem obter ajuda para evitar respostas negativas, que podem naturalmente ser suscitadas por crianças com temperamento mais difícil.

 

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