Temperamento


O que sabemos?

Síntese dos textos de especialistas - Publicado on-line em 19 de julho de 2011

Tradução: B&C Revisão de Textos. Revisão técnica: Vera Regina Fonseca, Sociedade Brasileira de Psicanálise
Revisão final: Alessandra Schneider, CONASS - Conselho Nacional de Secretários de Saúde - Brasil

Thomas, Chess e colegas identificaram nove dimensões do temperamento: nível de atividade, ritmo, aproximação ou retraimento, adaptabilidade, limiar de responsividade, intensidade de reação, qualidade de humor, possibilidade de distração e esforço de controle. Uma relação revisada, que reflete pesquisas subsequentes, inclui extroversão ou auto-confiança, que está relacionada a afetividade positiva, nível de atividade, impulsividade e fatores de risco; afetividade negativa, que está relacionada a medo, raiva, tristeza e desconforto; e esforço de controle, que está relacionado a deslocamento da atenção e capacidade de focalizar, sensibilidade perceptiva, e controle através da inibição e ativação. Essas últimas três dimensões foram encontradas consistentemente em relatos de pais sobre o temperamento na infância.

O temperamento desenvolve-se também ao longo do tempo. Durante os primeiros meses de vida, é possível observar diferenças individuais na orientação da atenção, propensão à angústia, afetividade positiva e aproximação, e frustração. A partir do final do primeiro ano, pode haver diferenças individuais na inibição por medo frente a estímulos novos ou intensos. Alguns bebês, que previamente responderam rapidamente a novos objetos ou pessoas, podem agora ter uma aproximação mais lenta, ou podem simplesmente não se aproximar. É também no final do primeiro ano de vida que as crianças começam a desenvolver o esforço de controle.

O temperamento da criança modela seus resultados, em parte criando modos de envolvimento e de estímulo dos ambientes que frequenta. As crianças interpretam suas experiências ambientais de formas diferentes, dependendo de seu temperamento. Por exemplo, crianças ansiosas e irritáveis tendem a perceber eventos negativos como mais ameaçadores do que crianças com um menor índice de emoções negativas.

Fica claro que o esforço de controle está associado ao desenvolvimento positivo, mesmo nos primeiros cinco anos de vida. Por exemplo, medidas laboratoriais e relatos de pais sobre o esforço de controle de crianças pequenas e em idade pré-escolar foram associados com menores índices de problemas comportamentais. Além do mais, descobrimos que o esforço de controle está correlacionado a baixos níveis de emoções negativas, grande compromisso com a obediência, altos níveis de competência social, e consciência, sendo um elemento preditivo de tais tendências. O esforço de controle também exerce um papel importante nas respostas que a criança provoca. Com o crescimento, as crianças vão sendo consideradas gradativamente responsáveis por seu próprio comportamento. Portanto, aquelas que não são bem reguladas têm maior probabilidade de obter reações negativas de colegas e adultos.

Também foram identificadas associações entre temperamento e desenvolvimento de psicopatologias. O temperamento pode aumentar a reação a eventos estressantes ou amortecer riscos. Foram constatadas relações entre inibição por medo e posterior ansiedade, afetividade negativa e depressão. Extroversão/auto-confiança e níveis baixos de esforço de controle também foram associados com o desenvolvimento de problemas comportamentais.

Assim sendo, embora haja um consenso quanto ao fato de que o temperamento é moldado por processos biológicos, pesquisas recentes realizadas com pares de bebês gêmeos mostram claramente que as diferenças individuais das crianças são moldadas também por experiências ambientais, mesmo durante o primeiro ano de vida. Diferentes estratégias de práticas parentais podem contribuir para ampliar ou reduzir determinados aspectos do temperamento de uma criança. Além do ambiente familiar, o ambiente escolar, os relacionamentos entre colegas e a vizinhança podem causar um impacto importante na estabilidade do temperamento inicial da criança e em bons e pobres resultados durante o processo de desenvolvimento.

 

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