Violência social


O que sabemos?

Síntese dos textos de especialistas - Fevereiro de 2012

Tema Editores: Richard E. Tremblay, PhD, Université de Montréal, Canada e University College Dublin, Irlanda
Tema financiado pela: Bernard van Leer Foundation (Países Bajos)

As crianças mais novas são especialmente vulneráveis à violência social devido a sua capacidade limitada de administrar o sofrimento psicológico, reduzir a ameaça ou de se afastar da situação.   Pelo fato de serem expostas a formas diretas ou indiretas de violência social, elas são mais propensas a sofrer estresse grave, incontrolável e crônico que, por sua vez, influencia os sistemas cerebrais que respondem ao estresse. Mais precisamente, a exposição elevada à violência comunitária cria um estado de medo constante, aumentando a sensibilidade da criança a estímulos externos (por exemplo, sons) e reduzindo sua capacidade de abstenção em envolver-se numa ação específica. Consequentemente, essas reações aumentam o risco em  desenvolver distúrbios de saúde mental incluindo depressões, ansiedade e distúrbio de estresse pós-traumático (PTSD), de apresentarem consequências negativas em sua saúde, vida social e educacional e de se envolver em comportamentos de risco (por exemplo, consumo de drogas, agressões) durante sua infância e vida adulta. A probabilidade de ocorrência desses problemas de ajustamento é maior quando a criança é submetida a punições corporais. Ao invés de melhorar os comportamentos destrutivos, o uso de força física por parte dos pais, na verdade, leva a mais agressões e a comportamentos delinquentes e antissociais nas crianças.

É importante ter em conta que fatores como a idade e o gênero da criança, o grau de exposição, direta ou indireta (por exemplo, através de seu impacto nas pessoas que tomam conta dela) e o contexto cultural influenciam o impacto negativo da violência social nas crianças. Por exemplo, o efeito da violência comunitária na interiorização de problemas (exemplo, depressão, ansiedade) é mais forte nas crianças mais jovens do que nas mais velhas. Entretanto, à medida que crescem, as crianças tornam-se cada vez mais envolvidas na violência comunitária e apresentam, assim, mais problemas externos (por exemplo, comportamentos agressivos/violentos) do que as crianças menores. As crianças e aqueles que vivem em áreas economicamente desprovidas correm mais riscos de serem expostos à violência comunitária. Finalmente, as respostas comportamentais das crianças à violência comunitária são influenciadas pela reação de sua mãe aos eventos violentos. Resultados de pesquisas indicam que comportamentos depressivos maternos devidos à violência comunitária tendem a aumentar os comportamentos problemáticos das crianças.

 

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