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Capital humano, desenvolvimento na primeira infância e crescimento econômico

David Dodge, PhD

Ottawa, Canadá

Novembro 2004 (Inglês). Tradução: novembro 2010

Embora pais e alguns psicólogos, sociólogos e autoridades em saúde pública já tenham compreendido há muito tempo, intuitivamente, a importância do desenvolvimento na primeira infância (DPI), foi apenas durante o último quarto de século que cientistas, médicos e cientistas sociais reconheceram o papel crucial do DPI. E foi apenas muito recentemente que o DPI ocupou um espaço na literatura econômica ao lado de escolarização, capacitação em serviço, saúde pública e aprendizagem informal.

O sucesso do DPI depende da interação de uma série de fatores. Assim como no desenvolvimento do capital humano nos últimos anos, os vários fatores que influenciam o DPI interagem, multiplicando-se para produzir “sucesso”, quantificado pela prontidão para a aprendizagem no ingresso à escola primária. Boas condições de saúde – tanto da mãe quanto da criança –, boa nutrição, bons cuidados parentais, forte apoio social e interações estimulantes fora de casa combinam-se para prover as melhores chances de sucesso. Uma vez que a negligência no investimento em qualquer desses fatores reduz o valor do investimento nas outras áreas, investimentos para melhoria da saúde pré e pós-natal da futura mãe são um aporte crucial para o DPI. Portanto, apoio de todo o tipo para melhorar o desempenho parental é crucial nesse período. Esses apoios incluem o desenvolvimento de habilidades parentais, apoio social, apoio de empregadores e governos para aumentar o tempo que os pais podem passar com suas crianças e, em alguns casos, apoio financeiro direto.

Surge então a questão da alocação adequada de financiamento público (e privado) na formação de capital humano. Para gerar o retorno total máximo do investimento em capital humano, é importante que novos investimentos sejam alocados de maneira eficiente dentro de limites – como se faz com o capital físico.  Portanto, é fundamental tentar estabelecer o retorno, dentro de limites, dos diferentes tipos de investimento em capital humano – um exercício muito difícil. E não deve surpreender que a pesquisa empírica não produza resultados numéricos definitivos. Portanto, se por um lado está claro que, nas limitações, os investimentos públicos devem ser direcionados para os mais jovens, a forma de maximizar a produtividade desses investimentos é muito mais obscura. 

Nota:

Adaptado da palestra programática “Human Capital, Early Childhood Development and Economic Growth: an Economist’s Perspective,” ministrada no Sparrow Lake Alliance’s Annual Meeting por Dr. Dodge, em maio de 2003. Dr. Dodge, que apresentou nesse evento sua posição pessoal, aprovou esta citação.

Para citar este artigo:

Dodge D. Capital humano, desenvolvimento na primeira infância e crescimento econômico. Em: Tremblay RE, Boivin M, Peters RDeV, eds. Enciclopédia sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância [on-line]. http://www.enciclopedia-crianca.com/importancia-do-desenvolvimento-infantil/segundo-especialistas/capital-humano-desenvolvimento-na. Publicado: Novembro 2004 (Inglês). Consultado: 16/09/2019.