Agressividade


O que sabemos?

Síntese dos textos de especialistas - Publicado on-line em 23 de abril de 2010

Esta síntese foi traduzida sob os auspícios do Conselho Nacional de Secretários de Saúde - CONASS - Brasil.

Para compreender de que maneira adultos passam a exibir comportamentos violentos, os pesquisadores começaram a analisar o período pré-natal e a primeira infância. Fatores que podem influenciar tendências agressivas incluem disposições genéticas, exposição pré-natal a drogas, álcool ou tabaco, nutrição materna precária, pequenas anomalias físicas, complicações no parto, história de comportamento problemático dos pais, dinâmica familiar, práticas parentais, temperamento difícil, influência de colegas e experiências escolares. Esses fatores podem acumular-se ao longo do tempo, colocando a criança em uma trajetória negativa, e sugerem a necessidade de intervenções precoces. No entanto, alguns fatores, como complicações obstétricas, só parecem aumentar o risco de problemas posteriores de agressividade na presença de outros estressores (mãe adolescente, baixo status socioeconômico, cuidados parentais inadequados). Nem todos os fatores de risco têm impacto semelhante. Por exemplo, até este momento, as constatações sobre exposição fetal ao álcool são muito mais extensas do que aquelas relativas à nutrição materna.

Os dados disponíveis sugerem que a agressividade física nos anos pré-escolares apresenta um pico entre 2 e 3 anos de idade, e depois decresce de maneira regular. No entanto, um pequeno grupo de crianças (de 5% a 10%) continuará a apresentar altos níveis de agressividade no decorrer da infância e da adolescência. Frequentemente, a agressão é uma característica primária do transtorno desafiador opositivo e do transtorno de conduta. Quando esses problemas se manifestam na primeira infância, tendem a continuar e permitem prever consequências negativas, como delinquência, uso de drogas e distúrbio mental adulto. Infelizmente, continua a ser problemático identificar agressões atípicas em pré-escolares, uma vez que os pesquisadores temem apontar como patológicos comportamentos normais, próprios da idade. Esse receio de utilizar rótulos ou conceitos inadequados do ponto de vista do desenvolvimento ressalta a necessidade de definições consistentes de agressão atípica, por razões tanto científicas como políticas. Para alcançar comparabilidade em estudos científicos, são necessárias definições claras. Da mesma forma, crianças que manifestam problemas de agressividade têm necessidade de serviços apropriados e, portanto, é fundamental identificá-las precocemente.

 

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