Apego


O que pode ser feito?

Síntese dos textos de especialistas - Publicado on-line em 14 de julho de 2011

Editor do Tema: Marinus van IJzendoorn, PhD, Leiden University, Países Bajos
Tradução: B&C Revisão de Textos. Revisão técnica: César Piccinini, UFRGS - Instituto de Psicologia
Revisão final: Alessandra Schneider, CONASS - Conselho Nacional de Secretários de Saúde - Brasil

Para melhorar os resultados do desenvolvimento de bebês e crianças a longo prazo, os programas de intervenção e prevenção deveriam focalizar a promoção de apego seguro pais-filhos. Intervenções baseadas no apego frequentemente focalizam questões específicas, como sensibilidade, comportamentos e estado mental dos pais. No entanto, o foco exclusivo em capacitação comportamental de sensibilidade parental, em vez de um foco em sensibilidade e apoio, ou um foco em sensibilidade, apoio e representações internas (por exemplo, terapias individuais) –, o uso de feedback por meio de vídeo e intervenções breves (de cinco a 16 sessões) orientadas para a sensibilidade dos pais parecem ser as formas mais eficazes na promoção de apego seguro e têm dado resultados positivos também com pais adotivos. Além disso, o local da intervenção (em casa ou no consultório) e a presença de fatores múltiplos de risco não afetaram a eficácia, mas intervenções realizadas com pacientes/clientes encaminhados para atendimento clínico e aquelas que incluíram o pai mostraram-se mais eficazes do que intervenções que não apresentavam essas características.

Algumas poucas intervenções focalizadas em sensibilidade tiveram certo impacto também sobre o apego desorganizado. No entanto, acredita-se que intervenções focalizadas em comportamentos parentais atípicos (por exemplo, não conseguir manter a criança segura, não conseguir consolar uma criança aflita, rir quando a criança está sofrendo, solicitar atenção e reasseguramento por parte da criança ou ameaçar feri-la) têm maior probabilidade de reduzir o apego desorganizado. Até o momento, as intervenções baseadas em apego focalizaram principalmente os precursores do apego inseguro, e não do apego desorganizado. Portanto, estudos futuros devem avaliar intervenções quanto ao seu potencial de prevenção do apego desorganizado.

Atualmente, a evidência das pesquisas relativas à promoção da relação de apego favorece intervenções breves e altamente focalizadas, a partir dos 6 meses de idade. No entanto, podem ser necessárias intervenções mais abrangentes e de longo prazo, ou outros tipos de intervenção para algumas famílias de alto risco. Há uma série de questões importantes que ainda devem ser investigadas para que seja possível tirar conclusões definitivas sobre a melhor forma de promover o apego seguro em diferentes tipos de famílias. Essas questões incluem a durabilidade dos efeitos das intervenções, os mecanismos que contribuem para sua eficácia, e sua efetividade em cenários do mundo real (em contraste com ensaios clínicos) para diferentes tipos de famílias.

Apesar disso, é evidente que os provedores de serviços devem ser capacitados na utilização de técnicas baseadas no apego que têm levado a resultados eficazes. Programas de intervenção baseados em apego devem ser incorporados aos programas vigentes de visita domiciliar e de educação de pais, e as políticas devem identificar as formas pelas quais as famílias podem ter acesso à maternagem consistente e a apoio psicológico no decorrer da vida de seus filhos. Atualmente, análises econômicas indicam claramente uma boa relação custo-benefício, tanto em termos financeiros quanto de sofrimento humano, do provimento de serviços às famílias com bebês antes que se desenvolva uma patologia.

 

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