Tradução: B&C Revisão de Textos. Revisão técnica: Fernando Cupertino, CONASS
Revisão final: Alessandra Schneider, CONASS - Conselho Nacional de Secretários de Saúde - Brasil
O desenvolvimento de sobrepeso e de obesidade nos primeiros anos de vida é influenciado tanto por características da criança como por fatores relativos aos pais e ao ambiente familiar. A obesidade infantil desenvolve-se quando o sistema de autorregulação do corpo não consegue modular influências ambientais relacionadas à propensão genética do indivíduo. Uma vez que não é possível modificar a carga genética em menos do que uma geração, é provável que mudanças na nutrição e no estilo de vida sejam os principais fatores responsáveis pela atual epidemia de obesidade.
A obesidade desenvolve-se quando há um desequilíbrio entre a ingestão e o consumo de energia: entre as causas primárias estão o aumento de ingestão de alimentos – especialmente aqueles com alto teor de gordura e calorias, como petiscos, bebidas adoçadas com açúcar e produtos para refeições rápidas – e pouca atividade física. Em crianças pequenas, níveis de atividade física abaixo dos 60 minutos diários recomendados e excesso de permanência diante da televisão (mais do que duas horas por dia) tendem a ter efeitos adversos sobre a saúde óssea e cardiovascular, e possivelmente sobre a função cognitiva e o desenvolvimento socioemocional.
Fatores pré-natais que podem resultar em sobrepeso em crianças entre o nascimento e os 5 anos de idade incluem tabagismo materno, diabetes materno e sobrepeso da mãe antes e durante a gravidez. No entanto, o aleitamento materno pode proteger as crianças contra a obesidade. Entre os possíveis mecanismos desse efeito de proteção estão a programação metabólica e a aprendizagem precoce de autocontrole na ingestão de alimentos. Outra explicação possível é que a amamentação pode influenciar o controle dos padrões de consumo da criança pelos pais. Bebês amamentados ao seio também experimentam uma variedade de sabores por meio da dieta da mãe, o que pode torná-los mais receptivos posteriormente a alimentos que tipicamente são rejeitados (como verduras e legumes).
A introdução de alimentos complementares (cereais, frutas, verduras e legumes ou carne) antes de 16 semanas de vida, combinada com menor duração do aleitamento materno (menos de 20 semanas), foi associada a maior ganho de peso entre o nascimento e 1 ano de idade. Os estudos sugerem que a introdução tardia de sólidos – depois de pelo menos 15 semanas de idade – pode ter um efeito benéfico sobre a obesidade infantil e reduzir o risco de reações alérgicas. O ganho rápido de peso em bebês e crianças pequenas parece ser um fator de risco para obesidade mais tarde.
Os pais têm um papel fundamental a desempenhar para ajudar seus filhos a desenvolver hábitos alimentares saudáveis e um estilo de vida ativo. Como as crianças imitam o que vêem, não surpreende que os comportamentos alimentares dos próprios pais estejam associados aos comportamentos alimentares das crianças e a seu status de peso. As crianças preferem naturalmente os sabores doces e salgados e não precisam aprender a gostar desses alimentos. No entanto, quando têm a oportunidade de experimentar repetidamente novos alimentos, como frutas, verduras e legumes, as crianças aprendem a gostar de alimentos que antes rejeitavam. Os estudos demonstram que podem ser necessárias de cinco a 16 exposições até que uma criança aceite um alimento novo.
Embora seja aconselhável que os pais limitem o consumo pelas crianças de petiscos que não são saudáveis, e as encorajem a comer mais frutas, verduras e legumes, a restrição excessiva ou a pressão para que comam podem, na verdade, ter efeitos negativos sobre a ingestão de alimentos e sobre o peso da criança, por perturbar a capacidade natural da criança de controlar sua ingestão de alimentos. A pressão dos pais para que a criança coma certos alimentos pode reduzir a preferência da criança por esses alimentos, ao passo que a restrição excessiva pode encorajar o consumo exagerado dos alimentos proibidos quando estiverem disponíveis.
Por fim, os fatores psicossociais que têm o potencial de aumentar o risco de obesidade da criança incluem baixo status socioeconômico, ser filho único e viver com apenas um dos pais.
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