Tradução: B&C Revisão de Textos. Revisão técnica: Lucrécia Zavaschi, Hospital de Clínicas de Porto Alegre – Centro de Estudos Luis Guedes. Revisão final: Alessandra Schneider, CONASS - Conselho Nacional de Secretários de Saúde - Brasil
Estudos demonstram que quanto maiores os riscos, piores serão os resultados para a criança. Riscos sociais na família, em grupos de pares, na escola e na vizinhança acumulam-se resultando em um efeito negativo consistente.
A presença de fatores de proteção ou de resiliência pode ser o motivo pelo qual algumas crianças são bem-sucedidas, apesar de viverem em condições insatisfatórias. Embora os tipos de adversidade enfrentados pelas crianças possam variar significativamente, um tema central que transcende diversas condições de risco é a presença de uma forte relação de apoio com pelo menos um adulto. Igualmente importantes são os relacionamentos afetuosos, solidários e consistentes fora do âmbito familiar, como aqueles com os cuidadores em contextos de educação e cuidado na infância, ou com professores nas escolas. Em conjunto, o apoio familiar, a aceitação de grupos de pares, escolas e comunidade competentes contribuem para resultados positivos no desenvolvimento da criança.
A escola pode proporcionar um importante ambiente para a aprendizagem ou para a construção de resiliência. O sucesso inicial na escola parece ser um caminho fundamental para a resiliência, particularmente para crianças em condições desfavoráveis.
Os pontos fortes da própria criança também contribuem para a adaptação resiliente. Crianças que têm alto nível de inteligência, temperamento calmo, carisma e habilidades sociais são mais propensas a adaptar-se de forma positiva às adversidades. No entanto, muitas destas características são vulneráveis às agressões
do ambiente.
Crianças mais novas com relações de apego saudáveis e boas habilidades cognitivas, sociais e de autorregulação normalmente são resilientes diante da adversidade, desde que suas principais habilidades de proteção e seus relacionamentos continuem a funcionar e a se desenvolver. A regulação emocional, em particular, desempenha um papel crítico na resiliência.
Há evidências crescentes de que fatores genéticos também contribuem significativamente para a capacidade de resiliência das crianças. Por exemplo, um genótipo associado à menor probabilidade de desenvolver depressão ao longo da vida pode influenciar a capacidade da criança de adaptar-se a situações adversas.
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