Violência social


O que pode ser feito?

Síntese dos textos de especialistas - Fevereiro de 2012

Tema Editores: Richard E. Tremblay, PhD, Université de Montréal, Canada e University College Dublin, Irlanda
Tema financiado pela: Bernard van Leer Foundation (Países Bajos)

Confrontar e prevenir os resultados negativos associados à exposição à violência social exige intervenções na comunidade e na sociedade que visem promover a capacidade de recuperação individual, familiar e comunitária. Considerando que a exposição à violência aumenta a probabilidade de a criança envolver-se em comportamentos de risco à medida que cresce (por exemplo, agressões e evasão escolar), a saída é ter programas com múltiplos objetivos focados nos fatores de risco precoce para promover o desenvolvimento social, emocional e comportamental da criança. Outro fator importante que amortece a influência da violência social no comportamento da criança é o bem-estar de quem dela toma conta. São recomendadas intervenções que ofereçam suporte às famílias expostas à violência (por exemplo, visitas aos lares). Os pais também devem receber abrigo adequado, comida suficiente, água limpa e serviços de saúde para permitir o desenvolvimento da família. Esses recursos de suporte possibilitam diminuir o sofrimento das pessoas que tomam conta das crianças e, por sua vez, diminuir as probabilidades de que se cometa violência por parte das crianças mais velhas.  Especificamente, os pais que têm acesso a serviços de suporte estão em uma posição melhor para oferecer cuidados seguros, estáveis e reativos para reduzir nas crianças as consequências negativas da exposição à violência.  Além de amortecer nas crianças o impacto negativo da exposição à violência, as intervenções visam aumentar o desenvolvimento da família e melhorar o acesso a serviços de incentivo que possam ser úteis para reduzir o uso de punições físicas.

Também é importante que os órgãos governamentais e não governamentais (por exemplo, organizações sociais, acadêmicas e centros de pesquisa) unifiquem seus esforços e atuem de forma proativa para evitar/reduzir a ocorrência de violência social. Como exemplo, o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde do Brasil (CONASS), em colaboração com seus parceiros, compilou uma série de estratégias de intervenção e programas de políticas voltados para corrigir e prevenir a violência. A implementação de campanhas públicas de educação, a promoção de uma equipe para aplicar um programa de saúde familiar e mudanças legislativas para reduzir a violência são parte de suas propostas para resolver o problema da violência social.  Por último, os responsáveis pela elaboração de políticas devem estar atentos à forma que as políticas atuais e futuras influenciam as causas de conflitos armados e como elas podem, potencialmente, manter e reforçar exclusões de subgrupos. A proteção de todos os membros da sociedade e o acesso equitativo aos recursos devem figurar entre as prioridades governamentais.

 

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