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Editor do Tema: Susan Rvachew, PhD, McGill University, Canadá
Tradução: B&C Revisão de Textos. Revisão técnica: Clara Brandão, Universidade Federal De São Paulo
Revisão final: Alessandra Schneider, CONASS - Conselho Nacional de Secretários de Saúde - Brasil
Embora a natureza da atividade mental subjacente à aprendizagem da linguagem seja amplamente debatida, há um consenso considerável de que o curso de desenvolvimento da linguagem é influenciado por fatores determinantes em pelo menos cinco áreas: social, perceptiva, de processamento cognitivo, conceitual e lingüística. Da mesma forma, embora existam diferenças individuais entre as crianças, o desenvolvimento da linguagem tem uma sequência previsível. A maioria das crianças começa a falar no segundo ano de vida, e aos 21 meses de idade provavelmente conhece pelo menos 100 palavras e é capaz de combiná-las em frases curtas. Entre quatro e seis anos de idade, a maioria das crianças fala com sentenças gramaticalmente completas e inteiramente inteligíveis. Suas primeiras sentenças são compostas por palavras de conteúdo e, frequentemente, faltam termos com função gramatical (por exemplo, artigos e preposições) e terminações das palavras (por exemplo, indicadores de plural e de tempo verbal). Embora exista uma sequência previsível, a taxa de desenvolvimento da linguagem varia substancialmente de criança para criança devido, primariamente, à interação complexa entre fatores genéticos e ambientais.
A quantidade e o tipo de estimulação linguística no lar e estresses familiares, como abuso infantil, afetam o desenvolvimento linguístico da criança. Da mesma forma, a qualidade da interação entre um cuidador e uma criança – como brincar com jogos de palavras ou ler livros – desempenha um papel importante nos resultados da alfabetização. As habilidades das crianças progridem mais rapidamente e mais prontamente em interações instrucionais caracterizadas por inputs sensíveis, responsivos e não controladores por parte do adulto. Outros aspectos do comportamento parental, tais como a participação frequente e regular em atividades de aprendizagem e o provimento de materiais de aprendizagem apropriados para a idade da criança, também favorecem os resultados da alfabetização. Além disso, pais que dispõem de mais recursos (por exemplo, educação, renda) têm maior probabilidade de oferecer experiências positivas de aprendizagem para seus filhos pequenos. Entretanto, características da criança (por exemplo, ordem de nascimento) também desempenham um papel central em suas próprias experiências de aprendizagem, sendo que primogênitos têm, em média, um vocabulário maior do que seus irmãos mais novos.
Crianças que têm vocabulário expressivo limitado (menos de 40-50 palavras) e que não utilizam nenhuma combinação de palavras aos 24 meses são consideradas como tendo desenvolvimento lento de linguagem expressiva (Slow Expressive Language Development - SELD). Essas crianças correm um risco maior de comprometimento de linguagem, que persiste ao longo dos últimos anos da educação infantil e dos primeiros anos do ensino fundamental. Além disso, crianças com distúrbios do desenvolvimento da linguagem correm maior risco de apresentarem problemas comportamentais posteriores, dificuldades acadêmicas, incapacidades de aprendizagem, dificuldades sociais e distúrbios de ansiedade. O problema comportamental mais comum é o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH); os estudos mostram também taxas altas de problemas de internalização, como timidez e ansiedade. Crianças com distúrbios de linguagem são mais propensas a ter dificuldades com o processamento fonológico, a aprendizagem fonológica e a alfabetização.
A consciência fonêmica refere-se à capacidade de identificar, comparar e manipular as menores unidades das palavras faladas: os fonemas. Durante o primeiro ano de vida, as crianças são mais sensíveis a fonemas de seu idioma nativo e menos sensíveis a diferenças acústicas que não são relevantes para seu idioma. Aos sete meses e meio, o aumento da resposta cerebral das crianças aos contrastes de seu idioma nativo prediz habilidades futuras de linguagem. Consciência fonêmica e habilidades vocabulares são os melhores preditores de leitura e de compreensão de leitura, respectivamente. Algumas crianças são suficientemente competentes em escutar e falar, mas têm pouca capacidade de processamento fonológico. Ao ingressar apresentarem distúrbios de leitura. Há uma representação acentuadamente desproporcional de crianças pobres e pertencentes a minorias étnicas ou raciais entre as que apresentam dificuldades de leitura.
Finalmente, o desenvolvimento de linguagem e a idade de surgimento de combinações de palavras são comparáveis entre crianças bilíngues e monolíngues.
* Este tópico foi desenvolvido em 2004 com a colaboração do Canadian Languager and Literacy Research Network (CLLRNet)
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