Programas de visita domiciliar (pré e pós-natal)


O que sabemos?

Síntese dos textos de especialistas - Publicado on-line em 20 de dezembro de 2010

Tradução: B&C Revisão de Textos. Revisão técnica e revisão final: Alessandra Schneider, CONASS - Conselho Nacional de Secretários de Saúde - Brasil

Os modelos de programas de visita domiciliar variam significativamente em relação aos seus modelos teóricos subjacentes, às características das famílias atendidas, ao número e à frequência das visitas, à duração, ao roteiro, e às abordagens. Variam também quanto à sua descrição específica em manuais, à fidelidade da implementação, assim como ao background e à capacitação dos prestadores de serviços. Com tantas variáveis envolvidas, não surpreende que os efeitos dos programas de visita domiciliar também sejam variados. Algumas análises concluíram que as visitas podem ser uma estratégia eficaz para promover saúde e desenvolvimento em crianças de famílias socialmente menos favorecidas, enquanto outros estudos não relataram nenhum tipo de impacto. Mesmo quando o comportamento dos pais é modificado, nem sempre foram observadas melhorias nos resultados para as crianças.
 
De acordo com pesquisas disponíveis, melhores resultados são alcançados quando os programas de visita domiciliar são baseados em teorias de desenvolvimento e mudança de comportamento, são dirigidos a fatores de risco empíricos, contratam prestadores de serviços altamente qualificados (tais como enfermeiras) e seguem um currículo bem elaborado ao longo das visitas.

Para obter resultados ainda melhores, podem ser necessárias intervenções mais intensivas diretamente com as crianças.

Os efeitos dos programas de visita domiciliar podem ir além dos resultados obtidos pelas crianças. Alguns programas mostraram resultados positivos relacionados também a outros aspectos:

  • Planejamento familiar: maior espaçamento entre gestações consecutivas e redução no número total de gestações;
  • Comportamento em relação à saúde durante o período pré-natal: dieta de melhor qualidade e redução no consumo de tabaco e outras substâncias tóxicas;
  • Comportamento materno: redução nas ocorrências de danos causados por drogas, menor número de detenções e condenações, maior probabilidade de envolvimento em relações estáveis, e maior utilização de serviços de apoio social formais e informais;
  • Autossuficiência familiar: maior participação na força de trabalho e redução no uso de programas de apoio governamental;
  • Conduta parental: atitudes parentais mais positivas e aumento de interações entre mães e filhos;
  • Segurança da criança: redução de situações de risco e do número de atendimentos em emergências; redução no número de internações hospitalares infantis por lesões e ingestão de objetos e substâncias tóxicas; redução no número de atendimentos de atenção primária; e redução no número de ocorrências de abuso negligência de crianças.

Um acompanhamento de dois anos do projeto Early Head Start National Demonstration mostra que mães envolvidas no estudo eram mais acolhedoras, mais sensíveis, demonstravam maior apego e maior propensão a desenvolver brincadeiras para estimular o desenvolvimento cognitivo, a linguagem e o letramento da criança. O estudo revelou também menor número de ocorrências de espancamento de crianças e utilização de recursos disciplinares mais brandos. Em comparação com programas que contam apenas com atendimento em centros, esses resultados foram mais frequentes em famílias que participavam de programas que incluem visitas domiciliares. Entretanto, aparentemente a situação ideal envolve programas que oferecem tanto visitas domiciliares quanto atendimento em centros de apoio – uma estrutura que resultou nos maiores ganhos.

Pesquisas indicam que programas de visita domiciliar podem gerar resultados positivos em meio aos jovens. Um estudo sobre um programa de visita domiciliar durante o período pré-natal e primeiros anos do bebê mostrou diferenças no longo prazo em relação a detenções, condenações e violações de liberdade condicional; abuso de álcool e tabaco; e atividade sexual promíscua em meio a jovens de 15 anos de idade cujas mães haviam sido identificadas como grupo de risco por terem sido registradas como solteiras e de baixa renda.

 

Veja também...

Para sua informação 

Alguns documentos estão disponíveis no
formato PDF. Para fazer o download gratuito
da versão em Acrobat Reader, clique em
clique aqui.