Editor do Tema: Michel Boivin, PhD, Université Laval, Canadá
Tradução: B&C Revisão de Textos. Revisão técnica: Adriana Fridman, Aliança pela Infância
Revisão final: Alessandra Schneider, CONASS - Conselho Nacional de Secretários de Saúde - Brasil
Programas de prevenção
Dois tipos de programas de prevenção destinados a promover competências sociais e emocionais em crianças pré-escolares evidenciaram impactos positivos: programas universais, que em geral são ministrados pelo educador para todo o grupo, visando promover aprendizagem e relações positivas entre pares; e programas indicados, que focalizam a recuperação de deficits de habilidades e a redução de problemas comportamentais existentes que podem levar a dificuldades da criança na relação com seus pares.
As pesquisas sugerem que a implementação dos dois tipos de programa no mesmo contexto proporcionaria um seguimento ideal de serviços. Programas universais poderiam melhorar a eficácia dos programas indicados, por tornarem o ambiente da sala de aula mais receptivo e encorajador em relação às habilidades sociais emergentes das crianças que são alvo dos programas indicados. É necessário, entretanto, analisar os custos e benefícios da implementação de programas universais.
Todas as crianças pré-escolares deveriam aprender um conjunto de habilidades associadas à aceitação pelos seus pares e que protejam da rejeição pelos seus pares. Nos anos pré-escolares, essas habilidades incluem capacidade de brincar cooperativamente, habilidades de linguagem e comunicação, compreensão emocional e regulação, controle da agressão e habilidades de resolução de conflitos sociais.
Programas universais foram projetados para ensinar essas habilidades e, aparentemente, os currículos pré-escolares que utilizam aulas de apresentação de habilidades (com histórias de modelagem, bonecos e ilustrações) e atividades práticas orientadas (brincadeiras e jogos de papéis) para ensinar habilidades socioemocionais na sala de aula têm impactos positivos.
Os ingredientes chave de programas eficazes indicados/selecionados incluem a orientação das crianças em brincadeiras cooperativas e habilidades de comunicação, e disponibilização de atividades gerais no contexto da sala de aula. Esses programas têm se mostrado eficazes para crianças com baixa aceitação pelos pares ou problemas de comportamento social e deficiências de desenvolvimento.
Para promover experiências positivas entre pares, especificamente para crianças com deficiências, a escolha educacional deveria recair sobre programas de inclusão em um grupo de crianças bem adaptadas. De fato, crianças com deficiências necessitam frequentemente de intervenções sistemáticas e planejadas individualmente, ou estratégias para a promoção de competências sociais relativas aos pares, e um aspecto central que determina o sucesso dessas intervenções é o acesso a um grupo socialmente competente.
Crianças de condição socioeconômica baixa ou pertencentes a minorias étnicas também representam populações de risco quanto a dificuldades entre pares. Para essas crianças, brincar com pares é um contexto natural e dinâmico para favorecer a aquisição de competências sociais importantes nos anos pré-escolares, e as intervenções que são interligadas a esse contexto têm-se revelado as formas mais eficazes de melhorar as interações dessas crianças com seus pares. O desenvolvimento e a implementação de intervenções em parceria com educadores infantis e com as famílias das crianças aumentam sua relevância para crianças de culturas e condições socioeconômicas diversas.
Programas de intervenção que abordam relações problemáticas entre irmãos ainda são incipientes, mas as evidências recentes sugerem que a capacitação de habilidades sociais pode ajudar a reduzir conflitos entre irmãos pequenos e aumentar suas interações pró-sociais. As intervenções para pais focalizam na sua capacitação como mediadores de conflitos entre seus filhos, ao invés de julgar e decidir por eles. Estruturando o processo de negociação, mas deixando nas mãos das próprias crianças a resolução final do conflito, esse tipo de intervenção visa, não só melhorar os desenlaces dos conflitos, mas também ajudar as crianças a compreenderem-se mutuamente e a desenvolverem formas construtivas de resolver conflitos.
Desafios
Tanto nos Estados Unidos como no Canadá, a educação pré-escolar consiste em uma colcha de retalhos fragmentada, com programas que não têm agência reguladora, referencial organizacional ou sistemas de apoio em nível nacional. Assim, um importante desafio para os formuladores de políticas é encontrar uma maneira de disseminar informações, oferecer capacitação adequada aos pais, cuidadores e professores, disponibilizar currículos de habilidades sociais para o grande número de programas livremente interligados que atendem crianças em idade pré-escolar, e monitorar a qualidade desses programas.
Além disso, embora a literatura sobre relações entre pares na infância ofereça diversas perspectivas para o planejamento e a implementação de programas efetivos de prevenção e de intervenção, é necessária a realização de um número maior de ensaios aleatórios e controlados, especialmente para intervenções preventivas nesse grupo etário.
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