Segundo idioma aprendido na infância


O que pode ser feito?

Síntese dos textos de especialistas - Publicado on-line em 12 de outubro de 2011

Tradução: B&C Revisão de Textos. Revisão técnica: Ana Luiza Pinto Navas, Santa Casa de São Paulo
Revisão final: Alessandra Schneider, CONASS - Conselho Nacional de Secretários de Saúde - Brasil

Diagnosticando dificuldades em leitura
É possível que algumas crianças que aprendem um segundo idioma tenham dificuldade em leitura, não apenas porque precisam de mais tempo para desenvolver a proficiência oral no segundo idioma, mas também porque têm problemas na aquisição de habilidades básicas de leitura. É importante ir além da proficiência oral e não retardar a avaliação e a intervenção. Profissionais da área de saúde e educadores precisam ser capacitados e autorizados para identificar precocemente de sinais de alerta, e para adaptar a instrução de acordo com esses sinais.

Uma vez que existem correlações positivas e significativas entre habilidades de leitura no primeiro e no segundo idioma que predizem o desenvolvimento bem-sucedido em leitura, é possível aprender muita coisa sobre a capacidade de leitura do aprendiz de um segundo idioma utilizando as mesmas medidas de avaliação que seriam utilizadas com uma criança monolíngue. Lacunas entre a compreensão da fala e da leitura e dados sobre o desempenho da criança no idioma materno também são informações importantes que devem ser coletadas.

Há outras fontes de informação que podem contribuir para a validade do diagnóstico, tais como boletins escolares do país natal, dados de entrevistas sobre a realização de marcos de desenvolvimento (particularmente o ínício e o desenvolvimento da linguagem), avaliações prévias e o desempenho acadêmico e linguístico dos irmãos. É fundamental também levar em conta o ambiente linguístico e cultural da família, a aculturação e os fatores aos quais os pais atribuem as dificuldades acadêmicas de seus filhos.

Políticas
Uma vez que não existem evidências de que o bilinguismo tenha impactos negativos sobre o desenvolvimento intelectual e socioemocional das crianças, os pais podem ser encorajados a falar seu idioma nativo em casa, e permitir que seus filhos aprendam na escola o idioma majoritário. Evidências sobre consequências predominantemente positivas do bilinguismo, ao lado de evidências de que crianças bilíngues não apresentam deficits cognitivos, apontam para um papel importante da escola, que pode fornecer os meios para que essas crianças aumentem suas habilidades linguísticas no idioma utilizado na escola, capacitando-as a tornar-se participantes integrais na sala de aula e a usufruir os benefícios de sua experiência educacional.

As constatações sobre bilinguismo e seus efeitos sobre o desenvolvimento socioemocional sugerem que esta é outra área que deve ser explorada. Da mesma forma, uma vez que a linguagem pode funcionar como meio de recuperação de lembranças de experiências pessoais que podem desempenhar um papel central no diagnóstico e no tratamento de diversas condições de saúde mental, é necessário promover políticas que encorajem a prestação de serviços de saúde bilíngues.

 

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