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Tradução: B&C Revisão de Textos. Revisão técnica: Ana Luiza Pinto Navas, Santa Casa de São Paulo
Revisão final: Alessandra Schneider, CONASS - Conselho Nacional de Secretários de Saúde - Brasil
Benefícios
As pesquisas mostram que, ao contrário do que muitos acreditavam, o bilinguismo não provoca confusões, não tem nenhum impacto negativo inerente sobre o desenvolvimento da criança, e tem até mesmo algumas vantagens sociocognitivas. Em especial, crianças bilíngues evidenciam algumas vantagens na compreensão de crenças dos outros e nas necessidades de comunicação de seus parceiros de conversa, na seleção de variáveis importantes para a resolução de problemas, e na consideração simultânea de duas interpretações possíveis de um mesmo estímulo. Obtêm também escores mais altos do que crianças monolíngues em diversos testes de capacidade cognitiva, tais como flexibilidade mental, tarefas não verbais de resolução de problemas, compreensão da origem convencional de designações, diferenciação entre semelhança semântica e semelhança fonética, e capacidade de avaliar a qualidade gramatical de frases.
No entanto, é importante o contexto em que ocorre o bilinguismo ou a aprendizagem do segundo idioma. As variáveis que podem afetar os resultados do desenvolvimento bilíngue incluem as atitudes dos pais em relação ao bilinguismo, o status dos idiomas na comunidade e o contexto sociocultural em que a criança vive.
Os aprendizes de um segundo idioma levam muito tempo para desenvolver a proficiência oral nesse idioma. Mesmo depois de cinco a seis anos de frequência à escola no ambiente do segundo idioma, as crianças talvez não falem tão fluentemente esse idioma quanto seus pares monolíngues. Pais e educadores precisam estar cientes de que, nos primeiros estágios de aquisição de um segundo idioma, é possível que as crianças apresentem atrasos nesta aquisição em comparação com crianças monolíngues. No entanto, normalmente esses atrasos são pequenos e não se mantêm por muito tempo. Em termos de proficiência geral em linguagem, as crianças bilíngues tendem a ter um vocabulário menor em cada idioma do que as crianças monolíngues em seu próprio idioma. Entretanto, sua compreensão da estrutura linguística é no mínimo tão boa e frequentemente melhor do que a de seus pares monolíngues.
Quando aprendem a ler em dois idiomas que compartilham um sistema de escrita – por exemplo, inglês e francês –, as crianças apresentam progressos mais rápidos na aprendizagem de leitura; crianças que aprendem em dois idiomas escritos em sistemas de escrita diferentes – por exemplo, inglês e chinês – não evidenciam nenhuma vantagem especial, mas também não apresentam nenhum deficit. No entanto, o benefício da aprendizagem de leitura em dois idiomas requer que as crianças sejam bilíngues, e não aprendizes de um segundo idioma cuja competência em um dos idiomas é limitada, em decorrência de menor de envolvimento com o segundo idioma.
Dificuldades em leitura
As pesquisas mostram que é possível diagnosticar bastante cedo dificuldades em leitura em crianças que falam um segundo idioma. Na verdade, a demora no diagnóstico e no tratamento de dificuldades potenciais em leitura nessas crianças é oneroso e tem consequências de longo prazo para aquelas que têm dificuldade de ler e escrever no idioma utilizado na escola. Os perfis de leitores de risco incluem desempenho muito deficiente e persistente em reconhecimento de palavras, decodificação de pseudopalavras (unidades de fala ou de texto que parecem e soam como palavras em um determinado idioma, mas não são realmente palavras) e tarefas de soletração, além de desempenho deficiente concomitante em medidas de processamento fonológico – como consciência fonológica e nomeação rápida.
Consciência fonológica (a capacidade de dividir as palavras em seus componentes, sintetizar seus sons e aprender suas características), nomeação rápida e, até certo ponto, memória verbal de trabalho são fontes de diferenças individuais que estão associadas ao desenvolvimento da leitura e a dificuldades em leitura em crianças monolíngues. Quando medidas em crianças monolíngues e em crianças que aprendem um segundo idioma, essas habilidades de processamento frequentemente se correlacionam, e podem predizer habilidades de decodificação e de soletração nos dois idiomas. Isso foi demonstrado entre diferentes grupos linguísticos. Da mesma forma, independentemente do tipo de ortografia de um idioma (regularidade de correspondência entre letras ou combinações de letras e sons associados a elas), os aprendizes de um segundo idioma que têm problemas de decodificação e de soletração em seu idioma materno também têm dificuldades no segundo idioma. Por fim, aprendizes de um segundo idioma que têm problemas sérios com habilidades de leitura baseadas em palavras e com os processos cognitivos necessários para o desenvolvimento de habilidades satisfatórias baseadas em palavras no segundo idioma também apresentam deficiências em fluência e compreensão de leitura e em habilidades de escrita.
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